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Cirurgias urológicas em pessoas trans: mitos e verdades

Cirurgias urológicas em pessoas trans: mitos e verdades

Nos últimos anos, tenho acompanhado um aumento significativo na busca por informações sobre as cirurgias urológicas em pessoas trans. Ainda existem muitas dúvidas e, principalmente, desinformação sobre o assunto — o que gera receios e expectativas equivocadas.

A urologia reconstrutora tem papel fundamental na saúde de pessoas trans, oferecendo possibilidades de reconstrução e adequação anatômica, respeitando as particularidades de cada paciente. No entanto, é essencial que essas cirurgias sejam compreendidas de forma técnica e responsável, longe de mitos e simplificações.

Neste artigo, quero esclarecer alguns conceitos e separar os mitos das verdades sobre os procedimentos urológicos realizados em pessoas trans. O objetivo é fornecer informações claras e confiáveis, com base científica e na minha experiência clínica, sempre com foco na segurança e no respeito à individualidade de cada pessoa.

O papel da urologia nas cirurgias de afirmação de gênero

A urologia tem uma participação essencial nas cirurgias de afirmação de gênero, tanto para pacientes trans masculinos quanto para trans femininos. Em cada caso, a abordagem é diferente e deve ser sempre individualizada.

Em pacientes trans masculinos, por exemplo, realizo cirurgias como a faloplastia e a metoidioplastia, que têm como objetivo reconstruir o órgão genital masculino, permitindo função urinária e, em alguns casos, sensibilidade e ereção.

Já em pacientes trans femininas, o foco está em procedimentos como a vaginoplastia e eventuais correções urológicas relacionadas à uretra, quando necessário. 

O acompanhamento urológico é essencial antes e depois dessas cirurgias para garantir uma boa recuperação e preservar a função urinária.

Mitos e verdades sobre as cirurgias em pessoas trans

Apesar do crescente interesse e das informações disponíveis, ainda existem muitos equívocos sobre as cirurgias urológicas em pessoas trans.

No consultório, percebo que grande parte das dúvidas surge de informações imprecisas ou incompletas encontradas na internet.

Por isso, reuni abaixo alguns dos principais mitos e verdades sobre esses procedimentos, para esclarecer o que realmente é possível e o que precisa ser melhor compreendido:

“Essas cirurgias são apenas estéticas.” — Mito

Um dos equívocos mais comuns é acreditar que as cirurgias de afirmação de gênero têm apenas finalidade estética. Na verdade, o foco principal é funcional: reconstruir estruturas anatômicas que permitam urinar com conforto, reduzir desconfortos e, sempre que possível, proporcionar sensibilidade. A estética é uma parte importante do resultado, mas nunca o único objetivo.

“O resultado é o mesmo para todos os pacientes.” — Mito

Cada corpo é único, e cada cirurgia precisa ser planejada individualmente. Avalio fatores como anatomia, expectativas e histórico clínico antes de definir a técnica ideal.

As etapas, o tempo de recuperação e os resultados podem variar bastante entre os pacientes.

“Essas cirurgias são irreversíveis.” — Parcialmente verdade

Embora muitas etapas sejam definitivas, algumas correções e ajustes podem ser feitos posteriormente. O processo de reconstrução é gradual e pode envolver mais de uma cirurgia, dependendo da resposta do organismo e dos objetivos de cada pessoa.

“É possível urinar em pé após a faloplastia.” — Verdade

Sim, esse é um dos principais objetivos da faloplastia e da metoidioplastia. Com a reconstrução adequada da uretra, o paciente transmasculino pode urinar em pé, recuperando uma função importante no seu dia a dia e no seu bem-estar.

“O acompanhamento médico é opcional após a cirurgia.” — Mito

O acompanhamento é indispensável. Após qualquer cirurgia urológica reconstrutora, realizo consultas regulares para avaliar cicatrização, função urinária e sensibilidade. Esse cuidado é essencial para garantir resultados duradouros e seguros.

A importância do acompanhamento multiprofissional

As cirurgias urológicas em pessoas trans não devem ser vistas de forma isolada.

O sucesso do tratamento depende de uma abordagem multidisciplinar, que envolve urologistas, cirurgiões plásticos, psicólogos, endocrinologistas e fisioterapeutas.

O trabalho em equipe é o que garante segurança e respeito em todas as etapas — desde a avaliação inicial até a recuperação completa.

Em minha prática, faço questão de integrar o acompanhamento com outros profissionais, pois cada paciente tem uma história e um ritmo que precisam ser respeitados.

Cirurgias urológicas em pessoas trans: o que importa

As cirurgias de afirmação de gênero representam um avanço significativo na medicina moderna, oferecendo mais do que uma transformação física — elas proporcionam autonomia, bem-estar e qualidade de vida.

Por serem procedimentos complexos, devem ser conduzidas por profissionais com formação em urologia reconstrutora e experiência em cirurgias genitais, capazes de oferecer avaliação criteriosa, técnicas seguras e acompanhamento a longo prazo.

Em minha atuação como urologista no Rio de Janeiro, dedico-me a proporcionar um cuidado humano e responsável a pessoas trans que buscam esse tipo de tratamento. Meu compromisso é informar, orientar e oferecer opções cirúrgicas seguras, sempre respeitando os limites e as necessidades individuais de cada paciente.

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