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Transexualidade e a Transgenitalização

Luiz Augusto Westin | Transexualidade e a Transgenitalização

Devido à explosão da difusão de informação através de meios de comunicação como TV, rádio, mídias digitais etc., nunca se falou tanto a respeito da transexualidade. Porém, ainda vemos e ouvimos muitas informações equivocadas que acabam dificultando o entendimento deste conceito para a maioria das pessoas.

Entenda sobre a transexualidade

Para que possamos compreender melhor, da forma mais simplificada possível, é importante diferenciarmos o sexo genético, a identidade de gênero e a orientação sexual. Confira!

  • Sexo Genético: depende dos cromossomos herdados dos pais. De forma simples e binária, se o indivíduo recebe um cromossomo Y do pai, ele será, geneticamente, do sexo masculino; terá um pênis e será designado pelo obstetra e pelo pediatra, ao nascimento, como menino. Caso receba um cromossomo X, será, geneticamente, feminino; terá uma vulva e será designado como menina;
  • Identidade de gênero: conforme esta criança cresce e começa a se relacionar com a sociedade, ela passa a ter uma convicção sobre o seu papel perante àquela sociedade, assumindo, novamente, de forma simplificada e binária, um comportamento masculino ou feminino. Se, geneticamente, esta criança é um menino e se comporta e se reconhece como homem, ele será um homem Cisgênero, havendo, então, uma congruência entre o comportamento e o sexo designado ao nascimento. Caso contrário, ou seja, se, geneticamente, é um menino, mas se reconhece e se comporta como menina, será uma Mulher Transgênero, havendo, então, uma incongruência entre o comportamento e o sexo designado ao nascimento;
  • Orientação sexual: Nada mais é do que atração física e/ou sexual, independentemente do sexo genético ou identidade de gênero. Se um homem, cis ou transgênero, se sente atraído por uma mulher, ele é considerado heterossexual, mas, se sente desejo por alguém do mesmo sexo, é considerado homossexual.

Vamos dar alguns exemplos de pessoas famosas para facilitar o entendimento.

  • Roberta Close: nasceu com sexo genético masculino, sendo designada ao nascimento como menino. Cresceu e passou a se reconhecer como menina, assumindo tal papel perante a sociedade. É casada com um homem. Portanto, Roberta Close é uma mulher transgênero, heterosexual. Se Roberta se sentisse atraída por mulheres, seria uma mulher transgênero, homossexual!
  • Thammy Miranda: nasceu com sexo genético feminino, sendo designada ao nascimento como menina. Cresceu e passou a se reconhecer como menino, assumindo tal papel perante a sociedade. Se relaciona com mulheres. Portanto, Tammy Miranda é um homem transgênero heterossexual. Se Thammy se sentisse atraído por homens, seria um homem transgênero homossexual!
  • Luciano Hulk: nasceu com o sexo genético masculino, foi designado ao nascimento como menino, se reconhece como tal e é casado com a Angélica, sendo, portanto, um homem cisgênero, heterossexual.
  • Ludimila: a cantora nasceu com o sexo genético feminino, foi designada ao nascimento como menina, assume tal papel perante a sociedade, mas namora com uma mulher, sendo, portanto, uma mulher cisgênero, homossexual.

O início do processo de transformação

O indivíduo transexual, quando se reconhece, passa a buscar por uma série de procedimentos de modificação corporal para adequar o corpo à mente.

Mulheres trans passam a usar hormônios femininos e medicamentos que bloqueiam a ação da testosterona para que a pele e a distribuição de gordura corporal assumam um padrão feminino e, também, para que a voz se torne mais aguda.

Além disso, buscam por implantes de silicone na mama e no glúteo, cirurgias de feminização facial, retirada do pomo de Adão, entre outros. Já os homens trans, por outro lado, passam a usar testosterona injetável para o crescimento de pelos, dos músculos e para tornar a voz mais grave. Buscam, também, por cirurgias para retirada das mamas e do útero, entre outras.

Como é o processo da cirurgia de confirmação de gênero?

Uma demanda muito frequente da população trans é pela cirurgia de confirmação de gênero, popularmente conhecida como transgenitalização. Trata-se de um conjunto complexo de procedimentos que tem por finalidade a readequação genital utilizando os tecidos do próprio paciente.

O objetivo final da cirurgia é transformar uma genitália masculina em uma feminina, ou vice-versa, em sua plenitude, ou seja, estética e funcionalmente o mais próximo possível de uma genitália natural.

Legalmente, para que o procedimento possa ser realizado, segundo a Resolução do Ministério da Saúde, nº 2.265, de 20 de setembro de 2019, o indivíduo transexual obrigatoriamente tem que:

1.  ter idade maior ou igual a 18 anos;

2.  ter, pelo menos, 1 ano de acompanhamento psiquiátrico e por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar. Tal acompanhamento deve ser devidamente documentado através da emissão de laudo.

O procedimento deve ser realizado por cirurgião reconstrutor genital com experiência em cirurgia de confirmação de gênero.

Principais técnicas cirúrgicas de readequação genital de masculino para feminino

Em todas as técnicas, a neovulva (parte externa da genitália feminina) é realizada da mesma forma: a glande se transforma e um clitóris totalmente sensível, a pele do prepúcio de transforma nos pequenos lábios, a pele do escroto se transforma nos grandes lábios, a uretra é encurtada para permitir que a paciente passe a urinar sentada e os testículos são removidos.

Gametas podem ser congelados antes da cirurgia, caso a paciente tenha o interesse futuro em ter filhos biológicos!

Técnicas para a confecção da neovagina (canal vaginal)

Inversão do prepúcio

Técnica consagrada na qual o prepúcio é invertido para revestir a neovagina. Pelo fato de o prepúcio conter pêlos, geralmente é necessária uma depilação definitiva da área antes da cirurgia. É considerada a técnica padrão ouro e recomendada como a primeira escolha pelo Ministério da Saúde e pela grande maioria dos cirurgiões experientes em todo o mundo.

Retalho de sigmoide

Nesta técnica, a neovagina é revestida com um segmento do intestino grosso: o cólon sigmoide. Como este segmento intestinal secreta muco, o corrimento da neovagina se torna uma queixa comum, mas que, geralmente, diminui consideravelmente ao longo do tempo. Por ser uma técnica que mobiliza um segmento intestinal, sendo assim, mais invasiva, é a técnica de eleição para pacientes já submetidos a um primeiro procedimento e que evoluíram com neovagina curta ou com estenose da neovagina.

Enxerto de jejuno

Nesta técnica, um segmento do intestino delgado é removido e tem seu revestimento interno retirado para ser enxertado na neovagina. Esta técnica tem a vantagem de gerar menos cicatrizes e de criar uma neovagina que não secreta muco, porém, por se tratar de um enxerto, haverá a necessidade de realizar auto dilatação do canal por toda a vida.

Principais técnicas cirúrgicas de readequação genital de feminino para masculino

Metoidioplastia

Técnica na qual todas as estruturas da genitália feminina são utilizadas para a criação de um micropênis que possui plena sensibilidade e ainda permite que o paciente passe a ter a capacidade de urinar em pé, marco de extrema importância na vida de um homem trans.

Nesta técnica, ocorre as seguintes transformações:

  • o clitóris, previamente hipertrofiado devido ao uso de hormônios, é transformado em um micropênis;
  • a vagina é plenamente fechada;
  • a neouretra é construída com a utilização de um segmento da parede vaginal, com um retalho de pequenos lábios e com um enxerto de mucosa oral. É, sem dúvida, a estrutura de mais difícil criação;
  • o escroto é criado por meio de um retalho reconfigurado dos grandes lábios;
  • os testículos são implantados em um segundo tempo, com a utilização de próteses testiculares de silicone.

Neofalos

Os neofalos, procedimentos complexos, geralmente são feitos em múltiplos estágios, nos quais segmentos de pele são reconfigurados para a criação de um pênis. Em um primeiro estágio, a haste peniana é criada. Após, uma neoglande é confeccionada e uma grande quantidade de mucosa de boca é enxertada na haste peniana previamente criada. Em seguida, a mucosa da boca é tubularizada e uma prótese peniana é implantada.

Os neofalos podem ser criados através da reconfiguração de várias regiões do corpo, sendo os principais:

  • retalho fáscio-cutâneo abdominal;
  • retalho livre de grande dorsal;
  • retalho livre do antebraço não dominante.

Apesar de os neofalos serem procedimentos usados em homens com o pênis amputado pelas mais variadas causas (câncer, traumatismo, entre outras), ainda são considerados procedimentos experimentais em homens trans, pela nova resolução do CFM 2020, podendo ser realizados apenas em hospitais universitários, após aprovação de um comitê de ética.

Profissional com experiência na área

Pelo artigo é possível perceber que o assunto é grande e precisa ser bem conversado. Assim, procure sempre profissionais com alto conhecimento no tema e experiência comprovada, como o Dr. Luiz Augusto Westin, Urologista especializado em Transexualidade e Transgenitalização no Rio de Janeiro. Além de trata outras doenças e procedimentos, como o estreitamento da uretra, tratamentos para incontinência urinária, pênis pequeno, curvatura peniana, pênis embutido e mais. Marque uma consulta!

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