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Mitos e verdades sobre a cirurgia de afirmação de gênero 

Poucas áreas da medicina geram tanta desinformação quanto a cirurgia de afirmação de gênero. Entre dúvidas legítimas, tabus e informações distorcidas que circulam nas redes sociais, encontrar respostas confiáveis pode ser difícil — especialmente para quem está considerando esse caminho para si mesmo ou para alguém próximo.

Este artigo foi escrito com um objetivo claro: oferecer informação de qualidade, baseada em evidências, com respeito e acolhimento a quem busca entender melhor esse tema.

A seguir, os principais mitos e verdades sobre a cirurgia de afirmação de gênero — sem julgamentos ou simplificações.

“Qualquer pessoa pode fazer a cirurgia a qualquer momento.”

Primeiro mito! A cirurgia de afirmação de gênero segue protocolos clínicos rigorosos, estabelecidos por entidades médicas nacionais e internacionais. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina regulamenta os critérios para a realização do procedimento, que incluem acompanhamento por equipe multidisciplinar com psicólogo, psiquiatra e endocrinologista, durante um período mínimo, além da maioridade civil do paciente.

Isso não significa burocracia desnecessária. Significa que a cirurgia é tratada com a seriedade que merece, garantindo que o paciente tenha suporte completo antes, durante e após o processo.

“Existem diferentes tipos de cirurgia de afirmação de gênero.”

Verdade! A afirmação de gênero por via cirúrgica ou cirurgia de redesignação sexual não é um procedimento único. Ela abrange um conjunto de intervenções que variam conforme a identidade de gênero do paciente e seus objetivos individuais.

Para mulheres trans e pessoas não binárias designadas masculinas ao nascer, os procedimentos mais comuns incluem a vaginoplastia (construção da neovagina), a vulvoplastia e a orquiectomia. 

Para homens trans e pessoas não binárias designadas femininas ao nascer, as opções incluem a mastectomia (realizada pela cirurgia plástica), a histerectomia e, em alguns casos, a faloplastia ou a metoidioplastia, procedimentos de alta complexidade que constroem o neofalo.

Cada trajetória é única. O planejamento cirúrgico respeita as necessidades e os desejos de cada paciente.

“A cirurgia de afirmação de gênero é irreversível.”

Mito! O caráter permanente de alguns procedimentos cirúrgicos é frequentemente usado como argumento contrário à realização da cirurgia, como se a irreversibilidade, por si só, fosse um sinal de erro. Mas essa lógica não se aplica à medicina de forma geral: diversas cirurgias são permanentes e, ainda assim, transformam positivamente a vida dos pacientes.

O que a pesquisa científica mostra é que os índices de arrependimento após a cirurgia de afirmação de gênero são significativamente baixos, especialmente quando o processo é conduzido com acompanhamento adequado. O sofrimento gerado pela disforia de gênero não tratada, por outro lado, tem impacto comprovado na saúde mental e na qualidade de vida.

“O papel do urologista é central em parte dos procedimentos.”

Verdade! A urologia tem participação direta em etapas importantes da cirurgia de afirmação de gênero, especialmente naquelas que envolvem a reconstrução do trato urinário e genital.

Na vaginoplastia, por exemplo, a uretra precisa ser reposicionada para uma nova localização anatômica, o que exige domínio técnico em cirurgia reconstrutora uretral. Complicações, como estenose de uretra e estreitamento que pode dificultar a micção, também são tratadas pelo urologista no pós-operatório.

Na faloplastia e na metoidioplastia, a construção ou o reposicionamento da uretra é uma das etapas mais complexas do procedimento, exigindo expertise em uretroplastia e técnicas avançadas de reconstrução.

Em outras palavras: a cirurgia de afirmação de gênero é, em muitos casos, uma cirurgia reconstrutora, e o urologista reconstrutor é parte essencial dessa equipe.

“Depois da cirurgia, não é necessário acompanhamento.”

Um mito e um perigo! Toda cirurgia de grande porte exige seguimento pós-operatório. Na afirmação de gênero, esse acompanhamento é ainda mais importante, pois envolve cuidados específicos com a cicatrização, dilatações (no caso da neovagina), monitoramento urinário e suporte hormonal contínuo.

Abandonar o acompanhamento pode expor o paciente a complicações evitáveis, como estenoses, infecções ou deiscências, que, quando detectadas precocemente, têm resolução mais simples e eficaz.

“A cirurgia melhora a saúde mental e a qualidade de vida.”

Verdade! Esse é um dos pontos mais consistentes na literatura médica sobre o tema. Estudos publicados em periódicos de referência em psiquiatria, urologia e medicina sexual demonstram que pacientes submetidos à cirurgia de afirmação de gênero, dentro de protocolos adequados, apresentam melhora expressiva em indicadores de saúde mental, bem-estar, satisfação corporal e qualidade de vida.

A cirurgia não resolve todos os desafios! O preconceito social, a discriminação e outras questões externas continuam sendo fatores que afetam essa população. Mas, do ponto de vista da saúde, a afirmação cirúrgica do gênero é uma intervenção com respaldo científico robusto e impacto positivo comprovado.

“Qualquer cirurgião pode realizar esses procedimentos.”

Mito e outra informação bem perigosa. A complexidade técnica da cirurgia de afirmação de gênero, especialmente os procedimentos genitais, exige formação específica e experiência acumulada. Não se trata de uma cirurgia de rotina, e os resultados variam significativamente conforme a qualificação da equipe envolvida.

Buscar um urologista com formação em urologia reconstrutora, que atue em equipe multidisciplinar e tenha experiência documentada nesses procedimentos, é uma decisão que impacta diretamente os resultados cirúrgicos e a segurança do paciente.

O que considerar antes de dar esse passo

Se você está considerando a cirurgia de afirmação de gênero, algumas perguntas podem ajudar a organizar esse processo:

  • Você já iniciou ou tem acompanhamento com equipe multidisciplinar (psicólogo, psiquiatra, endocrinologista)?
  • Tem clareza sobre quais procedimentos fazem sentido para a sua trajetória?
  • Conhece os critérios exigidos pela regulamentação brasileira para acesso à cirurgia?
  • Sabe qual é o papel de cada especialista — inclusive do urologista — no seu processo?

Não existe resposta certa ou prazo ideal. Cada pessoa percorre esse caminho no seu próprio tempo, com suas próprias necessidades. O que importa é que essa jornada seja feita com informação, suporte e cuidado.

Dê o próximo passo com quem entende do assunto

A cirurgia de afirmação de gênero envolve decisões complexas e merece uma equipe à altura dessa complexidade. Se você busca um urologista no Rio de Janeiro com experiência em cirurgia reconstrutora geniturinária e atendimento humanizado à população trans e não binária, agende uma consulta e comece essa conversa com segurança.

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