Michel Temer | A estenose de uretra do Presidente

A Estenose de uretra do Presidente

Nos últimos meses, vem sendo veiculado pela grande imprensa que o Presidente da República, Michel Temer, apresentou um quadro de retenção urinária aguda (perda da capacidade de urinar) devido à hiperplasia benigna da próstata (aumento benigno da próstata) e foi submetido a um procedimento prostático desobstrutivo, provavelmente uma ressecção transuretral da próstata (procedimento o qual fragmentos da próstata vão sendo retirados através da uretra, com o intuito de permitir a livre passagem da urina), no Hospital Sírio Libanês. No dia 15 de dezembro de 2017, aproximadamente dois meses após este procedimento, nosso Presidente foi novamente internado no mesmo hospital, com um quadro clínico bastante semelhante (dificuldade intensa para urinar) mas, desta vez, o diagnóstico foi outro: estenose de uretra (estreitamento do canal da uretra).

A uretra é uma estrutura tubular que comunica a bexiga com o meio externo, passando através da próstata. Desta forma, ela é quem “conduz” a urina do interior da bexiga para o meio externo quando o indivíduo sente vontade de urinar. Qualquer obstáculo a este caminho causa sintomas severos como urgência urinária, polaciúria (frequência urinária aumentada), nictúria (frequência urinária aumentada no período do sono), jato urinário fino e até a retenção urinária completa (perda total da capacidade de urinar com intensa dor abdominal).

Existem várias causas para esta enfermidade:

  • Uso prolongado de sondas uretrais.
  • Traumatismo dos ossos da bacia ou da região perineal (região compreendida entre o escroto e o ânus.)
  • Uretrites (Doença Sexualmente Transmitida que compromete a uretra).
  • Balanite Xerótica Obliterante.

Cirurgias prostáticas

Sim, cirurgias prostáticas… Sabe-se que, em média, 5% dos procedimento cirúrgico prostático podem causar a Estenose de Uretra. Não sabemos se nosso Presidente já tinha esta doença ou se foi uma complicação da cirurgia prostática realizada anteriormente.

Tratamentos para estenose de uretra

Existem vários tratamentos para o estreitamento de uretra, todos eles com o mesmo objetivo: desobstrução urinária duradora com consequente melhora na qualidade de vida do indivíduo. Dentre os tratamentos existentes, se destacam:

Uretrotomia interna

Método no qual a área estreitada é aberta internamente, com o auxílio de um endoscópio. Esta técnica também está em desuso devido às altas taxas de recidiva (reaparecimento) da estenose.

Uretroplastia término-terminal

Modalidade na qual a área estreita é completamente removida e costurada entre os dois segmentos uretrais sadios. Esta técnica é a que oferece os melhores resultados, mas só pode ser usada em estenoses menores.

Uretroplastia substitutiva

Modalidade indicada para estreitamentos maiores, em que a área estreitada é substituída por tecidos do corpo do próprio paciente. Os tecidos mais utilizados são a mucosa da boca (pele que reveste internamente a boca) e o prepúcio (pele que recobre o pênis).

Sobre o procedimento usado:

As uretroplastias, são cirurgias mais complexas, mas que trazem resultados a curto médio e longo prazo, muito melhores que a uretrotomia interna. Esta última, nos tempos atuais, devido às altas taxas de recidiva, somente está indicada em estenoses extremamente favoráveis ou em casos em que o paciente não tem condição clínica para ser submetido a um procedimento de maior porte .

Não sabemos qual foi o motivo pelo qual nosso Presidente foi submetido a um procedimento que está em desuso, justamente pelo fato de não trazer resultados favoráveis em longo prazo, mas, o que provavelmente ocorrerá nos próximos meses/anos na autoridade máxima de nosso país serão novas internações para o tratamento do mesmo problema.

O Dr. Luiz Augusto Westin é especialista no assunto. Buscar um urologista para tirar suas dúvidas e realizar exames periódicos é muito importante, pois conhecendo seu corpo os riscos ficam menores. Cuide-se!

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